Cultivar nabos na horta é simples e rápido: semeia-se diretamente no solo, em sol ou meia-sombra, entre setembro e novembro (e, nas zonas mais frescas, também em fevereiro e março), num solo solto e sempre húmido, e as raízes colhem-se ao fim de 45 a 70 dias. A mesma planta dá três colheitas: o nabo (a raiz), as nabiças (as folhas jovens) e os grelos (os rebentos florais tenros do fim do inverno).
Quem começa a cultivar nabos descobre depressa que esta hortícola não desperdiça nada. Pode semear numa única linha e, consoante o momento em que colher, levar para a cozinha uma sopa de nabiças, um prato de bacalhau com grelos ou um nabo tenro cozido ao lado do cozido. Neste artigo ficam o método, o calendário, os cuidados biológicos e todos os usos.
Tópicos neste artigo
Como cultivar nabos na horta: clima, solo e exposição
O nabo (Brassica rapa subsp. rapa) pertence à família das crucíferas, a mesma das couves, e é cultivado na Europa há milénios. Gosta de clima ameno e fresco, razão pela qual o cultivo do nabo corre melhor no outono e no fim do inverno do que no verão.
Clima e temperatura. A temperatura ideal situa-se entre os 10 e os 20 °C. Com calor acima dos 25 °C as raízes ficam picantes e fibrosas, e a planta tende a subir à flor antes de engrossar. Tolera bem o frio e as geadas fracas, o que torna uma boa aposta para os meses em que a horta tem menos opções.
Solo e pH. Prefere um solo solto, fundo, fresco e sem pedras, porque qualquer obstáculo deforma a raiz. O pH ideal ronda 6,0 a 7,0. Num solo ácido aumenta o risco de hérnia das crucíferas, por isso convém medir o pH antes de semear, com este medidor digital de pH e humidade do solo.
Preparação do canteiro. Mobilize o solo à profundidade de 25 a 30 cm e incorpore composto bem curtido algumas semanas antes. Nunca use estrume fresco: provoca raízes ramificadas, sabor forte e atrai a mosca-da-couve. Para quem quer sobretudo nabiças, um pouco mais de matéria orgânica favorece a folha.
Variedades de nabos mais comuns
Na escolha das sementes, o mais importante é selecionar a variedade de acordo com o objetivo da cultura: colher raízes, nabiças ou grelos. Entre os tipos de nabos mais comuns e comercializados, encontram-se os seguintes:
Nabo de colo roxo. Produz raízes arredondadas, de polpa branca e parte superior arroxeada. É uma opção versátil para consumo na cozinha, com sabor suave e ligeiramente picante.
Nabo Bola de Neve. Apresenta raízes arredondadas, de pele branca e polpa branca e tenra. É uma escolha interessante para quem procura nabos de aspeto uniforme e sabor delicado.
Nabo de Milão. Apresenta raízes achatadas ou arredondadas, de pele fina e polpa tenra. Dependendo da variedade, pode ter um ciclo de desenvolvimento relativamente curto, sendo adequado para quem pretende colher nabos jovens.
Nabo branco. Existem variedades de raiz predominantemente branca, com diferentes formatos e dimensões. São utilizadas tanto para consumo em fresco como em sopas e outros pratos.
Nabos de ciclo curto, como os comercializados com a designação «60 Dias». São opções interessantes para quem procura uma colheita relativamente rápida. O tempo indicado é aproximado e depende da variedade, da época de sementeira e das condições de cultivo.
Variedades para nabiças e grelos. São selecionadas sobretudo pela produção de folhas e rebentos tenros. Para este fim, convém escolher sementes cuja embalagem indique expressamente essa utilização.
Quando semear o nabos na horta
A regra geral é semear quando o calor abranda:
- Sementeira principal: de setembro a novembro, com colheita de outubro a fevereiro.
- Sementeira de fim de inverno: fevereiro e março, sobretudo no Norte e no interior, com colheita na primavera, antes do calor.
- Nabiças: pode semear de forma escalonada, de 3 em 3 semanas, durante o outono, para ter folha fresca durante meses.
- Grelos: resultam das plantas semeadas no outono que ficam na horta e sobem à flor no fim do inverno.
Para cultivar nabos com sucesso, evite semear no verão: com dias longos e quentes, o nabo sobe à flor e dá raízes pequenas e picantes. O nabo não gosta de ser transplantado, por isso semeie sempre no local definitivo.
Como semear e cuidar do nabos passo a passo
Sementeira direta. Faça sulcos com cerca de 1 cm de profundidade, com 25 a 30 cm entre linhas, e distribua as sementes em fio. Cubra levemente e regue com uma rega fina, para não compactar a superfície. A germinação demora 4 a 8 dias.
Monda das plantas. Quem quer cultivar nabos de raiz tenra deve esperar pelas duas ou três folhas verdadeiras e deixar cerca de 8 a 10 cm entre plantas. As plantas arrancadas não se perdem: são as primeiras nabiças da época.
Rega regular. É o segredo para nabos de qualidade. Regas irregulares, com secura seguida de encharcamento, causam raízes rachadas, amargas e fibrosas. Mantenha o solo sempre húmido, sem encharcar.
Cobertura do solo. Uma camada fina de composto maduro ou de cobertura vegetal seca mantém a humidade e reduz as ervas espontâneas. Use folhas secas ou relva seca bem curada.
Sacha e adubação. Faça sachas leves para arejar o solo sem ferir as raízes. Se o crescimento abrandar, uma rega com chá de composto ou extrato de urtiga diluído dá o impulso necessário, sem excesso de azoto.

Cultivar nabos em vaso, varanda e canteiro elevado
Não tem horta? Pode cultivar nabos em vaso, desde que o recipiente tenha pelo menos 25 cm de profundidade e furos de drenagem. Uma floreira funda serve bem para nabiças e variedades pequenas. Coloque a floreira onde receba, no mínimo, 4 a 6 horas de luz por dia.
Varanda. Use substrato leve misturado com composto e semeie diretamente, deixando 8 a 10 cm entre plantas. Em vasos a rega precisa de ser mais frequente, sobretudo em dias de vento.
Canteiro elevado. Num canteiro elevado para horta o solo mantém-se solto e fundo, o que favorece raízes direitas. É o formato ideal para cultivar num quintal pequeno ou numa horta urbana.
Nabiças e grelos: duas colheitas extra da mesma planta
Aproveitar a folha é a parte mais económica de cultivar nabos.
Nabiças. São as folhas jovens do nabo. Para as obter, semeie mais denso, com linhas a 15 cm, e dispense a monda forte. Colha quando as folhas estiverem tenras e antes de a planta subir à flor. Quanto mais frescas, mais suaves.
Grelos. São os rebentos florais tenros que o nabo produz no fim do inverno, quando as plantas deixadas na horta sobem à flor. Colhem-se quando os botões ainda estão fechados, cortando o caule com 15 a 20 cm. A planta volta a rebentar nas axilas das folhas e dá várias colheitas. Deixe algumas plantas florir para os polinizadores, porque as flores amarelas são das primeiras do ano.

Pragas e doenças do nabos: como combater de modo biológico
Sendo uma crucífera, o nabo partilha várias pragas e doenças com as couves. Quem pretende cultivar nabos deve proteger a sementeira desde os primeiros dias, sobretudo contra os insetos que atacam as folhas jovens. A prevenção é geralmente mais eficaz do que tentar controlar uma infestação já instalada.
Altica (Phyllotreta spp.). Estes pequenos escaravelhos fazem numerosos orifícios nas folhas, sobretudo nas plantas jovens e em condições quentes e secas. Mantenha a humidade do solo estável e proteja a sementeira com esta rede anti-insetos de malha fina, bem instalada e sem aberturas.
Mosca-da-couve. As larvas podem atacar as raízes, provocando lesões e dificultando o desenvolvimento das plantas. A rotação de culturas e a utilização de uma rede anti-insetos adequada ajudam a reduzir o risco. Instale a proteção antes da postura dos ovos e mantenha-a sem contacto com a folhagem, sempre que possível.
Lagartas da couve. As lagartas de algumas borboletas alimentam-se das folhas e podem comprometer o crescimento do nabo. Inspecione regularmente as plantas e retire as lagartas manualmente. Quando necessário, pode recorrer a um tratamento com Bacillus thuringiensis. Para saber como usar este produto, consulte o artigo Bacillus thuringiensis: o inseticida biológico contra lagartas.
Piolhos ou pulgões. Estes insetos sugadores agrupam-se nos rebentos e na página inferior das folhas, podendo provocar deformações e enfraquecimento. Quando a infestação o justificar, utilize um produto à base de sabão de potássio autorizado para esse fim, como [este sabão de potássio concentrado], respeitando as indicações do rótulo. Para conhecer outras medidas de controlo, consulte o artigo Como combater os piolhos na horta de modo biológico ou aprenda como fazer sabão inseticida em casa.
Lesmas e caracóis. Atacam sobretudo as plântulas e as folhas tenras, deixando perfurações irregulares. Faça apanha manual ao final da tarde ou em dias húmidos e elimine os esconderijos próximos da sementeira. As plantas jovens são particularmente vulneráveis. Para saber mais forma de combater as lesmas e os caracóis, consulte o artigo Como combater Lesmas e Caracóis de modo ecológico.
Hérnia das crucíferas. Esta doença, causada pelo organismo Plasmodiophora brassicae, provoca engrossamentos e deformações nas raízes, dificultando a absorção de água e nutrientes. É favorecida por solos ácidos e húmidos. Pratique uma rotação prolongada, de preferência de sete anos ou mais quando a doença estiver instalada, evite transportar solo contaminado e corrija o pH apenas quando necessário, com base numa análise do solo.
Míldio e alternariose. Estas doenças podem provocar manchas e deterioração da folhagem. Para reduzir o risco, respeite os espaçamentos, assegure uma boa circulação do ar e regue preferencialmente junto ao solo, evitando molhar as folhas. A alternariose pode ser favorecida pela humidade prolongada da folhagem, pelo que a ventilação e a prevenção são especialmente importantes.
Colheita e conservação dos nabos
Quando colher. Quem quer cultivar nabos tem uma regra de ouro: colher cedo. As raízes mais saborosas têm 4 a 6 cm de diâmetro; acima dos 8 cm tornam-se esponjosas e fibrosas. Puxe com cuidado depois de uma rega.
Como conservar. Corte as folhas logo após a colheita, porque retiram humidade à raiz. No frigorífico, na gaveta dos legumes, o nabo dura uma a duas semanas. Em areia húmida, num local fresco e escuro, conserva-se várias semanas.
Nabiças. Colhem-se a partir de 25 a 40 dias, quando as folhas têm 10 a 15 cm. Corte as folhas exteriores e deixe o coração da planta: rebrota e pode colher duas ou três vezes. Nas plantas de raiz, retire no máximo um terço das folhas, para a raiz não ficar pequena.

Plantas companheiras e antagónicas dos nabos
A consociação certa ajuda a reduzir pragas e a aproveitar o espaço. Estas são as associações mais referidas para os nabos.
Boas companheiras. A ervilha e o feijão, por fixarem azoto no solo, e a alface e a cebola, que ocupam pouco espaço e não competem pela raiz. As aromáticas como a hortelã e o tomilho ajudam a confundir a altica. Pode ver mais exemplos no nosso artigo “Plantas companheiras e antagónicas na horta biológica“.
Plantas antagónicas. A batata não se dá bem com o nabo, e a mostarda e as outras crucíferas (couves, brócolos, rabanetes) competem pelos mesmos nutrientes e atraem as mesmas pragas. Evite plantá-las lado a lado e respeite a rotação.
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- Sementes de nabos: Para iniciar a cultura e experimentar diferentes variedades, escolha sementes de nabo adaptadas à época de sementeira e às condições da sua horta.
- Bacillus thuringiensis. Bacillus thuringiensis biológico, para as lagartas.
- Sabão de potássio: Para ajudar a controlar pragas de corpo mole, como os pulgões, o sabão de potássio é uma boa opção. Aplique conforme as instruções do rótulo.
- Substrato ecológico de qualidade: Para cultivar nabos em vasos ou recipientes, é fundamental um substrato de boa qualidade, com boa drenagem e capacidade de retenção de humidade, de modo a favorecer o desenvolvimento das raízes.
- Vasos de tecido TNT: Para cultivar nabos em varandas, pátios ou espaços reduzidos, os vasos de tecido TNT permitem criar uma pequena horta.
- Medidor digital de pH: Para verificar se o solo apresenta condições adequadas ao desenvolvimento dos nabos, um medidor de pH permite avaliar a acidez e orientar as correções necessárias.
- Rede anti-insetos de malha fina: Para proteger as ervilheiras de insetos que podem transmitir doenças ou danificar as folhas e os rebentos, uma rede de malha fina constitui uma barreira física eficaz quando corretamente instalada.
- Túnel de cultivo: Para proteger a cultura do frio e das condições meteorológicas adversas, um túnel de cultivo ajuda a criar um ambiente mais favorável ao crescimento dos nabos.
- Manta térmica para plantas: Para reduzir os efeitos das baixas temperaturas e proteger as plantas jovens, a manta térmica é um complemento útil durante os períodos mais frios.
- Pulverizador de pressão prévia de 2 L: Para aplicar tratamentos biológicos ou produtos fitossanitários de forma uniforme nas ervilheiras, um pulverizador de pressão prévia facilita a aplicação em pequenas hortas.
- Pulverizador elétrico de 2 L: Para quem procura maior comodidade na aplicação de tratamentos, um pulverizador elétrico permite pulverizar as plantas sem necessidade de bombear manualmente.
Usos das nabiças na cozinha
As nabiças são das folhas mais tradicionais da cozinha portuguesa e uma das melhores razões para cultivar nabos.
- Arroz de nabiças: o prato clássico, simples e reconfortante, que acompanha bem bacalhau frito, peixe grelhado ou ovos.
- Nabiças cozidas: são o acompanhamento típico do bacalhau cozido com batata, grão e ovo, regado com azeite e alho.
- Sopas e caldos: juntam-se a feijão ou a batata e dão sabor a uma sopa de inverno.
- Refogadas: salteadas com alho e azeite, ficam ótimas ao lado de carnes.
- Saladas: as folhas muito jovens, cruas, trazem um toque picante e fresco.
Dica prática: escalde as nabiças um minuto em água a ferver com sal e passe por água fria. Fixa a cor, suaviza o amargo e permite congelar em porções para o resto do ano.
Usos dos grelos na cozinha
Os grelos são um dos produtos mais apreciados do fim do inverno e o prémio de quem continua a cultivar nabos até ao fim da estação.
- Bacalhau com grelos: combinação clássica, com batata cozida e azeite.
- Cozido à portuguesa: os grelos cozidos acompanham carnes e enchidos.
- Carne de porco com grelos: o amargo ligeiro equilibra a gordura da carne.
- Arroz de grelos: parente próximo do arroz de nabiças, com mais caráter.
- Grelos salteados: escaldados e passados por alho e azeite, ou ainda com um fio de azeite e limão.
Para suavizar o amargo: escalde sempre os grelos em água abundante com sal, durante 2 a 3 minutos, e escorra bem. Aproveite também os botões, que são a parte mais tenra.
Benefícios do consumo de nabos, nabiças e grelos
O nabo é pouco calórico, rico em água e fibra. As folhas (nabiças e grelos) são uma boa fonte de vitamina K, vitamina C, vitamina A (em forma de carotenoides) e cálcio. Como todas as crucíferas, contêm compostos sulfurados responsáveis pelo sabor característico. Quem tem problemas de tiroide ou toma anticoagulantes deve falar com o médico sobre a quantidade de crucíferas e de folhas verdes que pode consumir.
Diferenças regionais em Portugal
Norte e interior. Com invernos frios, pode cultivar nabos com sementeiras em fevereiro e março e os grelos são uma tradição forte, sobretudo no Minho e em Trás-os-Montes. Em zonas de geada forte proteja a sementeira com rede ou um pequeno túnel.
Sul, Alentejo e Algarve. O calor chega cedo e obriga a cultivar nabos só na estação fresca, por isso privilegie a sementeira de outono e dezembro e colha até ao início da primavera. Regue com mais frequência e use cobertura do solo.
Madeira e Açores. O clima ameno permite sementeiras durante grande parte do ano, mas a humidade favorece míldio e lesmas, pelo que o arejamento e o espaçamento ganham importância.
Sabia que…
Muito antes de as abóboras se tornarem o símbolo do Halloween, na Irlanda e na Escócia as lanternas dessa festa eram esculpidas em nabos e outras raízes. Só quando os emigrantes levaram a tradição para a América é que a abóbora, maior e mais fácil de esculpir, tomou o lugar do nabo.
Perguntas frequentes
Quanto tempo demora a cultivar nabos até à colheita?
As raízes ficam prontas em 45 a 70 dias, consoante a variedade e a estação. As nabiças colhem-se a partir dos 25 a 40 dias, e os grelos só no fim do inverno, nas plantas semeadas no outono.
Qual é a diferença entre nabiças e grelos?
As nabiças são as folhas do nabo, colhidas antes de a planta florir. Os grelos são os rebentos florais tenros, colhidos com os botões ainda fechados, no fim do inverno.
Porque é que os nabos ficam picantes ou fibrosos?
Quase sempre por calor, secura ou colheita tardia. Regar com regularidade, semear no outono e colher com 4 a 6 cm resolve a maior parte dos casos.
Posso cultivar nabos em vaso?
Sim, num vaso com pelo menos 25 cm de profundidade, boa drenagem e sol direto durante 4 a 6 horas. As nabiças dão-se bem em floreiras mais baixas.
Posso comer as folhas de qualquer nabo?
Sim, as folhas de todos os nabos de horta são comestíveis. As folhas jovens são mais suaves, e as mais velhas pedem escaldão. Use sempre folhas de plantas cultivadas sem tratamentos químicos.
Conclusão
Cultivar nabos compensa pela rapidez e pela generosidade: uma só sementeira dá raízes, nabiças e, no fim do inverno, grelos. Semeie no outono, regue com regularidade, proteja contra a altica e colha cedo, e terá comida fresca durante meses.
Se este tema lhe interessou, veja também os nossos artigos “Calendário da horta por regiões em Portugal“, “Plantas companheiras e antagónicas na horta biológica“, “Como combater os piolhos na horta de modo biológico” e “Como fazer sabão inseticida“.








