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Conheça todas as pragas e doenças que atacam a ervilha

Doenças ervilha

Como já descrevemos em outro artigo, as ervilhas são fáceis de cultivar e não exigem muitos cuidados especiais para podermos ter uma colheita produtiva. Infelizmente, a ervilha é propensa a contrair um número razoável de pragas e de doenças e podem ser atacadas em todas as fases do seu desenvolvimento. Mesmo as sementes secas não estão imunes. Mostramos de seguida as principais pragas e doenças que podem atacar as ervilheiras da sua horta.

Doenças que atacam a ervilha

A doença mais grave que ataca a ervilha – pelo menos a mais comum em Portugal – é sem dúvida o Oídio que ataca especialmente as plantações mais tardias. Esta doença é produzida por um fungo (Erysiphe pisi) que cobre toda a planta (caules, folhas e vagens) com uma espécie de um pó branco acinzentado e que acaba por provocar a murchidão de toda a planta. Os sintomas iniciais são manchas pálidas e indefinidas que evoluem para um polvilhado branco que cobre todos os órgãos aéreos da planta. O enchimento das vagens pode ser afetado em ataques mais severos. Esta doença tende a agravar-se com o passar do verão, por isso semeie culturas temporãs se quiser minimizar os ataques de Oídio.

Outra doença comum na ervilha é o Míldio (Peronospora viciae) que afeta a página superior e inferior das folhas. Existem duas fases de infeção. A primária ocorre a partir dos esporos presentes no solo. Já a secundária ocorre pela disseminação através do vento dos esporos e conídeos. Nas infeções secundárias, a infeção tem como sintomas o engrossamento dos folíolos e seu amarelecimento. A planta fica ananicada e com uma penugem castanho violácea a cobrir a planta. Há ainda uma redução da floração.

Quando o desenvolvimento do fungo se dá apenas numa parte dos folíolos, estes apresentam manchas descoloradas na face superior e na inferior uma penugem castanha violácea. Nas vagens, as lesões apresentam coloração amarelada tanto no exterior como no interior, onde se desenvolve também uma penugem branca. O míldio afeta as colheitas quase todos os anos, especialmente no fim da estação. Use variedades menos vulneráveis ao míldio.

A Ferrugem (Uromyces pisi-sativi) é outro fungo que ataca a ervilha. Aparece na página inferior das folhas sob a forma de manchas amareladas, que mais tarde tomam uma cor castanho-avermelhada, especto pulverulento e com o centro enegrecido. Esta doença é favorecida pelo excesso de humidade. Tenha cuidado com as regas em especial se o solo da sua horta não tiver boa drenagem. Deve destruir das plantas atacadas para evitar a propagação do fungo.

Oídio ervilha
Oídio
Míldio ervilha
Míldio
Ferrugem ervilha
Ferrugem

A Antracnose é causada pelo fungo (Colletotrichum pisi) que ataca os caules, as folhas e sobretudo as vagens, onde forma manchas isoladas arredondadas de cor castanho-amareladas rodeadas de um anel escuro. Pode causar o abortamento total das vagens ou danos parciais na fase de enchimento dos grãos. A rotação de culturas e o solo com boa drenagem são boas medidas preventivas.

A Alternariose é uma micose provocada pelo fungo (Alternaria alternata). Provoca lesões nas folhas e nas vagens de coloração acastanhada ou amarelada no centro e verde nas margens. As manchas das lesões têm forma ovais e estão dispostas em anéis concêntricos com diâmetro de 5 a 8 mm. As plantas infetadas devem ser removidas e queimadas ou isoladas para evitar que a doença se espalhe.

A Ascoquita origina-se dos fungos (Ascochyta pisi; Mycosphaerella pinodes) e pode causar lesões principalmente nas folhas e nas vagens. A raiz raramente é afetada. Nas folhas, as manchas são arredondadas ou irregulares, de coloração cinzento-escura no centro e castanho-escuras nas margens. Dependendo da incidência, pode haver morte de folhas. Nas hastes, as manchas são de coloração púrpura e deprimidas, localizando-se principalmente na região do nó. Se a infeção ocorrer em vagens novas, há formação de cancros escuros, que podem atingir as sementes. Zonas com invernos muito chuvosos e solos com pouca drenagem podem potenciar o surgimento desta doença.

A Podridão Cinzenta (Botrytis cinerea) surge quando as pétalas das flores ficam fixas nas vagens, o que pode causar aborto da vagem e dos grãos. É visível uma podridão cinzenta a cobrir os folíolos e vagens.

A Fusariose (Fusarium solani f. sp pisi; Fusarium oxysporum f. sp. Pisi) é um fungo de solo que penetra na raiz ou no colo da planta, destruindo estes tecidos progressivamente e provocando a sua podridão. Acaba por debilitar a planta e condicionar o seu desenvolvimento, amarelecendo as folhas e debilitando os ramos.

Existem outros fungos que também atacam as ervilhas e causam doenças micóticas, mas causam estragos relativamente menores. Por exemplo: A Verrugose (Cladosporium herbarum) e o Pé-negro (Pythium sp.).

Ervilha Podridão Cinzenta
Podridão cinzenta
Ervilha Ascoquita
Ascoquita
Ervilha Fusariose
Fusariose

Pragas que atacam a ervilha

Quanto às pragas, os ataques podem começar logo na fase inicial do cultivo pois os ratos e os pássaros podem comer as sementes. Os pássaros também retalham os rebentos jovens. As ratoeiras são eficazes como medida preventiva contra os ratos. Quanto aos pássaros, pode ser usada uma tele, rede de arame ou alguns galhos.

Ainda antes da emergência, ou quando as plantas estão pequenas, podem já ser minadas pela (Chortophila cilicrura) uma larva branca de 6 a 8 milímetros que vive, sobretudo, em terrenos arenosos. Também à nascença as ervilhas são, frequentemente, decapitadas pela lesma (Limax agrestis).

Já em pleno desenvolvimento os ervilhais costumam ser atacados por um pequeno coleóptero (Sitona lineata) que deixa as folhas marcadas com os bordos dentados. Não costumam ser de efeitos muito destruidores. Também se nota, com frequência, o aparecimento de Larvas-mineiras (Phytomiza atricornis) nas folhas.

Uma das pragas com efeitos mais nocivos é o Gorgulho em particular as espécies (Bruchus pisorum e Bruchus rufimanus). A fêmea põe os ovos nos folíolos ou nas estipulas. Quando eclodem, as larvas penetram nas vagens e dirigem-se para as sementes, onde cada individuo chega a atacar quatro grãos. A larva do gorgulho é rosada com pequenas manchas e mais tarde fica branca.

Outra praga muito nociva para a ervilha é a Traça-da-ervilha (Cydia nigricana). A larva da traça distingue-se da do gorgulho por ser amarelada de cabeça negra e deixar fios de seda nas vagens, entre os grãos. É uma praga que pode surgir desde a floração à formação das vagens. A traça-da-ervilha pode por os ovos nas flores e as pequenas larvas eclodem dentro das vagens e alimentam-se das ervilhas. Uma infestação grave pode arruinar uma colheita inteira. A traça e particularmente importante no Douro Literal, na Estremadura e no Algarve.

Outra praga importante é causada traça (Cacoecimorpha pronubana). É uma praga polífaga relativamente importante na província do Douro Litoral, Estremadura e Algarve e a Lagarta-das-vagens (Etiella zinckenella).

A Tripe da ervilha (Caliothrips brasiliensis) é pequeníssima (1,4 a 1,8 mm). Observando bem as vagens, consegue-se ver as larvas amarelas e os adultos reunidos. Picam as flores impedindo o seu normal desenvolvimento. Nas zonas contagiadas, não devem ser cultivadas ervilhas ou espécies da mesma família durante dois anos.

A Lagarta-da-ervilha. São larvas amarelo-esverdeadas, com a cabeça negra e 12-13 mm de comprimento, que danificam especialmente as variedades de ciclo longo.

A (Sitonia lineata), pequeno inseto assustadiço, castanho-acinzentado, de 4-5 mm, munido com um pequeno bico: devora a orla das folhas deixando-lhes as típicas superfícies semicirculares roídas. Ataca especialmente as plantas recém-nascidas, nas horas quentes e soalheiras, em maio-junho, enquanto nos dias chuvosos fica escondido junto ao pé da planta.

A Mosca-da-ervilha. Põe os ovos nas flores, que, depois de sugadas pelas larvas, ficam malconformadas e dão vagens disformes ou nem sequer as dão. Trata-se de uma pequena mosca amarelo-clara, coberta de pelos negros e munida de uma tromba mediante a qual alcança o interior das flores. Não cultivar ervilhas durante, pelo menos, dois anos na parcela infestada.

Os afídeos podem surgir em todas as fases da cultura da ervilha. A sua preferência de alimentação nos diferentes órgãos da planta depende da espécie, sendo que se alimentam da seiva. Quando a população é muito grande pode levar à queda prematura das flores e/ou vagens, o que se traduz em quebra de produção.

Um dos afídeos mais comuns é o (Acyrthosiphon pisum) que chega a atingir seis milímetros, de cor verde, olhos vermelhos e providos de longas antenas; pica e suga a planta na época da floração e causa efeitos bastante destruidores, pois chega a ocasionar a perda total da colheita.

Gorgulho Ervilha
Gorgulho
Traça Ervilha
Larva da Traça
Afídeos Ervilha
Afídeos

Já os afídeos (Aphis craccivora e Aphis fabae) são negros, originam o enrolamento das folhas e são também bastante nocivos. Alias, os efeitos prejudiciais diretos dos afídios são incrementados pelo facto de serem transmissores dos vírus, doenças extremamente nocivas. Nas ervilhas traduzem-se por modificações mais ou menos acentuadas das folhas que tornam quebradiças, enroladas e de coloração manchada pelo vírus do mosaico.

Bicho arroz (Delia spp.) É um díptero que deposita os ovos junto ao colo das plantas no solo e quando as larvas eclodem penetram na base das raízes, das quais se alimentam, podendo levar à morte da planta. Os primeiros sintomas são o amarelecimento das folhas.

São conhecidas outras pragas como: carneiros, escaravelho da ervilha, larvas mineiras, mosca branca, nemátodos, nóctuas e tripes, mas não são problemáticas.

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