Calendário da horta por regiões em Portugal: o que semear, plantar e colher em cada zona

Mapa de Portugal com as seis zonas do calendário da horta por regiões, cada uma de uma cor

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O calendário da horta por regiões em Portugal divide o país em seis zonas climáticas e indica, para cada uma, quando semear, plantar e colher as 24 culturas mais comuns numa horta biológica. Escolha o seu distrito no calendário interativo, veja o que fazer este mês e adie uma ou duas semanas se a sua horta for fria, alta ou exposta ao vento.

A diferença entre um tomate colhido em julho e um tomate perdido numa geada de abril está quase sempre na data. Por isso, este calendário da horta por regiões não usa datas únicas para o país inteiro: parte dos dados de geada do IPMA e do ciclo de cada cultura para dar datas de referência que pode aplicar no quintal, na horta comunitária, no canteiro elevado ou na varanda.

Calendário da horta por regiões: em que zona fica o seu distrito

O primeiro passo é saber em que zona está. A divisão que usamos tem cinco zonas no continente e uma para as ilhas, e agrupa territórios que partilham o risco de geada, o calor do verão e a influência do mar. Não segue os limites administrativos à letra: um distrito pode ter litoral e serra, e quem manda é a altitude e a distância ao mar.

Zona 1 — Litoral Norte e Centro

  • Distritos e regiões: Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra e Leiria.
  • Clima: Invernos geralmente suaves e chuvosos; verões moderados.
  • Risco de geada: Pode prolongar-se até ao início de abril, sobretudo nos vales e nas zonas mais abrigadas.

Zona 2 — Interior Norte e Serras

  • Distritos e regiões: Vila Real, Bragança, Guarda e Viseu, incluindo as zonas de maior altitude, particularmente acima dos 600 metros.
  • Clima: Invernos frios, frequentemente prolongados; verões quentes e secos.
  • Risco de geada: Pode prolongar-se até maio, sobretudo nas zonas de maior altitude.

Zona 3 — Litoral Sul e Vale do Tejo

  • Distritos e regiões: Lisboa, Setúbal e Santarém.
  • Clima: Invernos geralmente suaves; verões quentes e secos.
  • Risco de geada: Geralmente reduzido, mas pode ocorrer até ao início de abril nos vales do Tejo e em locais mais expostos ao ar frio.

Zona 4 — Alentejo e Beira Baixa

  • Distritos e regiões: Portalegre, Évora, Beja e Castelo Branco.
  • Clima: Invernos frescos; verões muito quentes e secos.
  • Risco de geada: Pode prolongar-se até ao início de abril, dependendo da altitude e das condições locais.

Zona 5 — Algarve

  • Distritos e regiões: Faro e restante região algarvia.
  • Clima: Invernos geralmente muito suaves; verões quentes e secos.
  • Risco de geada: Muito reduzido no litoral, mas possível no interior e nas zonas mais elevadas.

Zona 6 — Madeira e Açores

  • Distritos e regiões: Arquipélagos da Madeira e dos Açores.
  • Clima: Predominantemente ameno e influenciado pelo oceano, com diferenças entre ilhas e entre zonas costeiras e de altitude.
  • Risco de geada: Geralmente reduzido junto ao mar, mas possível nas zonas de maior altitude.

Menu de distritos. No calendário interativo mais abaixo, escolha o seu distrito num menu e a zona seleciona-se sozinha.

Serras e vales frios. Acima de cerca de 600 metros, em qualquer distrito, use as datas da Zona 2 deste calendário. O mesmo vale para as baixas e vales onde o ar frio se acumula de noite e a geada aparece mais tarde do que na encosta.

Colheita num quintal rural em Portugal, seguindo o calendário da horta por regiões
Colher no momento certo começa por semear na altura certa, e essa altura muda de zona para zona

Calendário da horta por regiões interativo: escolha a zona e o mês

Zona 1: Litoral norte e centro (Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra, Leiria)
CulturaSemearPlantarColher
Tomatefev–abr2ª abr–maijul–out
Pimentofev–abrmaiago–out
Beringelafev–abrmaiago–out
Curgete2ª abr–jul—jun–out
Pepinomai–jun—jul–set
Abóboramai–jun—set–nov
Feijão-verdemai–jul—jul–out
Ervilhaout–nov; fev–mar—abr–jun
Favaout–dez—abr–jun
Alfacefev–abr; ago–outmar–mai; set–novabr–jul; nov–dez; jan–mar
Espinafreset–nov; fev–mar—nov–dez; jan–abr
Acelgamar–mai; ago–setabr–jun; set–outmai–dez
Couve-galegamai–juljul–setout–dez; jan–mar
Brócolosmai–juljul–setnov–dez; jan–mar
Cenouramar–ago—jun–dez
Beterrabamar–ago—mai–dez
Rabanetefev–mai; ago–out—mar–jun; set–nov
Batata—fev–abrjun–ago
Cebolaset–outnov–dez; jan–fevjun–ago
Alho—out–dezjun–jul
Alho-francêsfev–maimai–julout–dez; jan–mar
Salsamar–mai; set–out—mai–dez
Coentrosmar–mai; set–out—abr–jul; out–dez
Manjericãoabr–maimai–junjun–out
Zona 2: Interior norte e serras (Vila Real, Bragança, Guarda, Viseu)
CulturaSemearPlantarColher
Tomatemar–abr2ª mai–junago–out
Pimentomar–abr2ª mai–junago–out
Beringelamar–abr2ª mai–junago–set
Curgete2ª mai–jun—jul–set
Pepino2ª mai–jun—jul–set
Abóbora2ª mai–jun—set–out
Feijão-verde2ª mai–jun—jul–set
Ervilhafev–abr—mai–jul
Favaout–nov; fev–mar—mai–jul
Alfacemar–julabr–agomai–out
Espinafremar–abr; ago–set—mai–jun; out–nov
Acelgaabr–junmai–juljul–nov
Couve-galegaabr–junjun–agoout–dez; jan–mar
Brócolosmai–junjun–agoset–nov
Cenouraabr–jul—jul–nov
Beterrabaabr–jul—jun–nov
Rabanetemar–mai; ago–set—abr–jun; set–out
Batata—abr–maiago–out
Cebolafev–marabr–maiago–set
Alho—out–novjul–ago
Alho-francêsmar–maijun–agoout–dez; jan–mar
Salsaabr–jun—jun–nov
Coentrosabr–jun; set—mai–ago; out
Manjericãoabr–mai2ª mai–junjul–set
Zona 3: Lisboa, Setúbal e Vale do Tejo (Lisboa, Setúbal, Santarém)
CulturaSemearPlantarColher
Tomatefev–marabr–maijul–out
Pimentofev–mar2ª abr–maijul–out
Beringelafev–mar2ª abr–maijul–out
Curgeteabr–jul—jun–out
Pepinoabr–jun—jun–set
Abóboraabr–mai—set–nov
Feijão-verdeabr–jul—jun–out
Ervilhaout–dez; jan–fev—mar–jun
Favaout–dez—mar–mai
Alfacefev–abr; ago–novmar–mai; set–dezabr–jun; out–dez; jan–mar
Espinafreset–fev—nov–dez; jan–abr
Acelgafev–mai; ago–setmar–jun; set–outmai–dez; jan–mar
Couve-galegamai–juljul–setout–abr
Brócolosmai–juljul–setout–dez; jan–mar
Cenourafev–ago—mai–dez
Beterrabafev–ago—mai–dez
Rabanetefev–mai; set–nov—mar–jun; out–dez; jan
Batata—fev–abrmai–ago
Cebolaset–outnov–dez; jan–fevmai–jul
Alho—out–dezmai–jun
Alho-francêsfev–maimai–julout–dez; jan–mar
Salsafev–mai; set–out—abr–dez
Coentrosfev–abr; set–nov—abr–jun; out–dez; jan–fev
Manjericãomar–maimai–junjun–out
Zona 4: Alentejo e Beira Baixa (Portalegre, Évora, Beja, Castelo Branco)
CulturaSemearPlantarColher
Tomatefev–mar2ª abr–maijul–out
Pimentofev–mar2ª abr–maijul–out
Beringelafev–mar2ª abr–maijul–out
Curgeteabr–jul—jun–out
Pepinoabr–jun—jun–set
Abóboraabr–mai—set–nov
Feijão-verdeabr–jul—jun–out
Ervilhaout–dez; jan—mar–mai
Favaout–dez—mar–mai
Alfacefev–abr; set–novmar–mai; out–dezabr–jun; nov–dez; jan–mar
Espinafreout–dez; jan—dez–abr; jan–abr
Acelgafev–mai; ago–setmar–jun; set–outmai–dez; jan–mar
Couve-galegajun–julago–setnov–dez; jan–abr
Brócolosjun–julago–setnov–dez; jan–mar
Cenourafev–abr; ago–out—mai–jul; nov–dez; jan–fev
Beterrabafev–abr; ago–out—mai–jul; out–dez; jan
Rabanetefev–abr; set–nov—mar–mai; out–dez
Batata—fev–marmai–jul
Cebolaset–outnov–janmai–jul
Alho—out–dezjun–jul
Alho-francêsmar–maijun–agoout–dez; jan–mar
Salsafev–abr; set–out—abr–jul; nov–dez; jan–mar
Coentrosfev–abr; set–nov—abr–mai; nov–dez; jan–fev
Manjericãomar–maimai–junjun–out
Zona 5: Algarve (Faro)
CulturaSemearPlantarColher
Tomatejan–marmar–abrjun–nov
Pimentojan–marabr–maijun–nov
Beringelajan–marabr–maijun–nov
Curgetemar–ago—mai–nov
Pepinomar–jun—mai–out
Abóboramar–mai—jul–nov
Feijão-verdemar–ago—mai–nov
Ervilhaout–dez; jan—fev–abr
Favaout–dez—fev–abr
Alfaceago–dez; jan–marset–dez; jan–abrout–mai
Espinafreset–dez; jan—nov–dez; jan–abr
Acelgafev–mai; ago–outmar–jun; set–novabr–dez; jan–mar
Couve-galegajun–agoago–outnov–dez; jan–abr
Brócolosjun–agoago–outnov–dez; jan–mar
Cenouraset–dez; jan–abr—dez–jul; jan–jul
Beterrabaset–dez; jan–abr—dez–jul; jan–jul
Rabaneteset–mar—out–abr
Batata—jan–mar; ago–setabr–jun; nov–dez
Cebolaset–outnov–janabr–jun
Alho—out–dezmai–jun
Alho-francêsmar–maijun–agoout–dez; jan–mar
Salsafev–mai; set–nov—abr–jul; nov–dez; jan–mar
Coentrosfev–abr; set–dez—abr–mai; nov–dez; jan–mar
Manjericãofev–abrabr–maimai–out
Zona 6: Madeira e Açores (Madeira, Açores)
CulturaSemearPlantarColher
Tomatefev–abr2ª abr–maijul–out
Pimentofev–abrmaiago–out
Beringelafev–abrmaiago–out
Curgeteabr–jul—jun–out
Pepinoabr–jun—jul–set
Abóboraabr–jun—set–nov
Feijão-verdeabr–jul—jun–out
Ervilhaout–dez; jan–fev—mar–mai
Favaout–dez—mar–mai
Alfacefev–abr; ago–outmar–mai; set–novabr–jul; nov–dez; jan–mar
Espinafreset–fev—nov–dez; jan–abr
Acelgafev–mai; ago–outmar–jun; set–novmai–dez; jan–mar
Couve-galegamai–juljul–setout–abr
Brócolosmai–juljul–setout–dez; jan–mar
Cenourafev–set—mai–dez
Beterrabafev–set—mai–dez
Rabanetefev–mai; ago–out—mar–jun; set–dez
Batata—jan–abrabr–ago
Cebolaset–outnov–dez; jan–fevmai–jul
Alho—out–dezjun–jul
Alho-francêsfev–maimai–julout–dez; jan–mar
Salsafev–mai; set–out—abr–dez
Coentrosfev–mai; set–nov—abr–jul; nov–dez; jan–fev
Manjericãomar–maimai–junjun–out

Use o calendário da horta por regiões acima em três etapas: escolha o seu distrito no menu ou clique numa zona, diga se quer ver o que fazer num mês ou o ano inteiro e, se quiser, filtre por grupo de culturas.

O que fazer em cada mês. É a vista inicial, no mês em que estamos. Mostra três blocos, com as culturas a semear, a plantar e a colher nesse mês, e pode mudar de mês no menu.

Ano inteiro, por cultura. Cada cultura tem um cartão com as datas de semear, plantar e colher e uma barra de 12 meses, para ver de relance a época.

Semear, plantar e colher. Semear inclui a sementeira direta e a sementeira em alfobre, tabuleiro ou vaso. Plantar indica o transplante e a plantação de bolbos e tubérculos, como o alho e a batata. Um traço (—) significa que a cultura se semeia no local definitivo, e na alface e na acelga pode também semear diretamente.

Quinzenas e fim de ano. «2ª abr» começa na segunda quinzena de abril. Intervalos que passam o fim do ano, como «out–mar», vão de outubro de um ano a março do seguinte, e os separados por ponto e vírgula são épocas diferentes.

Datas de referência. As datas deste calendário da horta por regiões são médias para a parte central de cada zona. Um ano frio ou uma horta alta justificam adiar uma ou duas semanas. Em caso de dúvida, quem decide é o solo: só semeie culturas de calor quando a terra aquecer e as noites deixarem de ser frias.

 Mini-estufa de germinação com plântulas de tomate e pimento, para antecipar o calendário da horta por regiões
Semear em casa permite antecipar as culturas de calor e plantá-las só depois da última geada

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Sementeira e germinação

  • Bandejas de germinação biodegradáveis. Uma solução barata e prática para sementeiras caseiras. Permitem uma ventilação ideal e promovem um sistema radicular robusto. Podem ser colocados no solo junto com as mudas.
  • Bandejas de germinação com alvéolos. É uma solução funcional para semear tomate, pimento e beringela em casa e transplantar cada plântula com o seu torrão.
  • Mini-estufa de germinação com tampa. Mantém o calor e a humidade, o que acelera a germinação e dá a melhor relação qualidade-preço.
  • Substrato de germinação. Substrato específico para sementes e estacas: Mistura preparada para favorecer a germinação de sementes, o desenvolvimento de mudas e o enraizamento durante as primeiras fases de cultivo.
  • Etiquetas para plantas. Ideais para identificar os alvéolos de cada sementeira. Etiquetas reutilizáveis.

Proteção contra geadas

  • Estufa de cultivo em túnel. Projetado para cobrir plantas com manta térmica. Proporciona um ambiente ideal para a germinação rápida e o crescimento de plantas jovens.

Número médio de dias com geada em Portugal: o que dizem os dados do IPMA

A data da última geada é um dos fatores que mais influencia este calendário por regiões. Os valores abaixo representam o número médio de dias com geada por mês, segundo as Normais Climatológicas do IPMA de 1991–2020. Os dados das estações  meteorológicas automáticas, mostram que os invernos recentes têm apresentado alterações, mas a geada tardia continua a ocorrer: estes valores devem ser encarados como uma indicação de risco, não como uma garantia.

Zona 1 — Norte litoral

Braga

❄️ Janeiro 10,3 · Fevereiro 5,6 · Março 1,9
❄️ Abril 0,8 · Maio 0
❄️ Outubro 0 · Novembro 3,7 · Dezembro 7,1

Coimbra

❄️ Janeiro 6,5 · Fevereiro 3,3 · Março 1,5
❄️ Abril 0,4 · Maio 0,1
❄️ Outubro 0,2 · Novembro 2,0 · Dezembro 4,7

Monte Real, Leiria

❄️ Janeiro 5,4 · Fevereiro 2,3 · Março 0,5
❄️ Abril 0 · Maio 0
❄️ Outubro 0,1 · Novembro 1,7 · Dezembro 4,9

Zona 2 — Norte interior

Bragança

❄️ Janeiro 15,7 · Fevereiro 12,5 · Março 10,2
❄️ Abril 4,3 · Maio 1,2
❄️ Outubro 2,0 · Novembro 8,7 · Dezembro 12,7

Leitura para a horta: a geada mantém-se possível até maio e reaparece já em outubro.

Guarda

❄️ Janeiro 12,7 · Fevereiro 10,1 · Março 6,7
❄️ Abril 2,8 · Maio 0,3
❄️ Outubro 1,4 · Novembro 7,7 · Dezembro 11,7

Leitura para a horta: a altitude prolonga o risco de geada na primavera e favorece o seu regresso já no outono.

Vila Real

❄️ Janeiro 10,1 · Fevereiro 4,6 · Março 1,7
❄️ Abril 0,8 · Maio 0,3
❄️ Outubro 0,1 · Novembro 4,9 · Dezembro 7,4

Zona 3 — Centro e Vale do Tejo

Lisboa

❄️ Janeiro 0,1 · Fevereiro 0,2 · Março 0
❄️ Abril 0 · Maio 0,1
❄️ Outubro 0 · Novembro 0 · Dezembro 0,2

Setúbal

❄️ Janeiro 6,6 · Fevereiro 2,4 · Março 0,4
❄️ Abril 0 · Maio 0
❄️ Outubro 0 · Novembro 0,9 · Dezembro 3,2

Alvega, Abrantes

❄️️ Janeiro 10,0 · Fevereiro 5,5 · Março 3,2
❄️ Abril 0,7 · Maio 0,1
❄️ Outubro 0,2 · Novembro 3,7 · Dezembro 6,7

Zona 4 — Alentejo

Beja

❄️ Janeiro 3,7 · Fevereiro 2,1 · Março 0,3
❄️ Abril 0,1 · Maio 0
❄️ Outubro 0 · Novembro 0,7 · Dezembro 1,9

Alvalade

❄️ Janeiro 11,0 · Fevereiro 6,3 · Março 2,4
❄️ Abril 0,6 · Maio 0
❄️ Outubro 0,5 · Novembro 4,1 · Dezembro 8,0

Zona 6 — Regiões Autónomas

Arquipélagos (Açores e Madeira)

Eventuais ocorrências de geada ficam restritas a pontos muito específicos e elevados das ilhas, sem expressão estatística regular nas normais de referência do IPMA.

 Tomate, manjericão, calêndula e capuchinha em vasos numa varanda, combinações do calendário da horta por regiões
Tomate com manjericão, calêndula e capuchinha: uma combinação clássica que também funciona em vasos

O que mostram estes dados?

Em Bragança e na Guarda, a geada pode ocorrer ainda em maio e regressa já em outubro, reduzindo significativamente o período disponível para culturas sensíveis ao frio. No Vale do Tejo e no Alentejo, o risco diminui bastante a partir de março, mas pode prolongar-se até abril, sobretudo em zonas baixas e vales onde o ar frio se acumula. Na faixa litoral e em Setúbal, a ocorrência de geada na primavera é pouco frequente, enquanto em Lisboa e ilhas os valores destas normais são praticamente nulos.

Zona 1: litoral norte e centro

A Zona 1 abrange os distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra e Leiria. O inverno é suave e chuvoso, os verões são moderados e a geada é pouco frequente, mas nos vales de Braga e de Coimbra ainda pode aparecer até ao início de abril. Neste calendário por regiões, o tomate semeia-se de fevereiro a abril em ambiente protegido e planta-se da segunda quinzena de abril a maio, com colheita de julho a outubro.

O que muda face ao sul. Com verões frescos, o pimento e a beringela precisam de sol e abrigo e só se plantam em maio. A humidade favorece o míldio, por isso deixe espaço entre as plantas, regue de manhã e junto ao solo e retire as folhas doentes. O artigo Como combater o Míldio nas culturas da horta, aborda diversos métodos preventivos e curativos para esta doença fúngica. Datas completas: Zona 1 no calendário interativo.

Zona 2: interior norte e serras

A Zona 2 reúne Vila Real, Bragança, Guarda e Viseu, e também as serras acima de 600 metros. Tem invernos longos e frios, com geada ainda em maio em Bragança, na Guarda e em Vila Real, e verões quentes e secos. No calendário desta zona, as culturas de calor só vão para fora na segunda quinzena de maio ou em junho, e a época termina com as primeiras geadas de outubro.

Como ganhar tempo. Semeie tomate, pimento e beringela em março ou abril, dentro de casa ou numa mini-estufa, e plante-os quando as noites deixarem de ser frias. Aproveite o frio a favor da horta: a couve-galega, o alho e a fava suportam bem o inverno. A cebola semeia-se aqui na primavera, ao contrário do sul, onde se semeia no outono. Datas completas: Zona 2 no calendário interativo.

Zona 3: Lisboa, Setúbal e Vale do Tejo

A Zona 3 inclui Lisboa, Setúbal e Santarém. O inverno é suave, com geada muito rara em Lisboa e que quase não passa de fevereiro em Setúbal, mas o Vale do Tejo tem noites frias até ao início de abril, e o verão é quente e seco. No calendário da Zona 3, o tomate planta-se de abril a maio e colhe-se de julho a outubro, e há duas épocas boas de sementeira: a primavera e o início do outono.

Cuidado com as noites frias do Tejo. Nos vales de Santarém, o ar frio acumula-se de noite. Se o seu terreno é baixo, espere pela segunda quinzena de abril para plantar pimento e beringela. No verão, a alface, o espinafre e os coentros esgotam-se com o calor: semeie-os de novo a partir de agosto ou setembro. Datas completas: Zona 3 no calendário interativo.

Zona 4: Alentejo e Beira Baixa

A Zona 4 abrange Portalegre, Évora, Beja e Castelo Branco. Tem invernos frescos, com geada nas planícies até ao início de abril, e verões muito quentes e secos, com máximas que podem passar os 40 °C. O calendário da horta desta zona antecipa a primavera e foge do verão: o tomate, o pimento e a beringela plantam-se da segunda quinzena de abril a maio, e as couves e os brócolos semeiam-se só em junho e julho para plantar em agosto e setembro, quando o calor abranda.

Água e sombra. Cubra o solo com uma camada de cobertura vegetal para reduzir a rega, regue ao amanhecer e sombreie as sementeiras de verão. No pico do calor, a alface, o espinafre e os coentros ficam em pausa. Datas completas: Zona 4 no calendário interativo.

Zona 5: Algarve

A Zona 5 corresponde ao Algarve, o distrito de Faro. O inverno é muito suave, praticamente sem geada no litoral, e os verões são quentes e secos. É a zona que arranca primeiro: no calendário da região do Algarve, o tomate planta-se já em março e abril e colhe-se de junho a novembro, e a batata planta-se logo em janeiro, para colher de abril a junho.

Duas épocas de batata e inverno produtivo. A batata tem uma segunda plantação em agosto e setembro, para colher em novembro e dezembro. No inverno, a ervilha, a fava, o espinafre e a cenoura crescem sem problemas e dão colheitas que no resto do país só chegam mais tarde. Nas serras de Monchique e do Caldeirão, as noites são mais frias: atrase as datas duas a três semanas. Datas completas: Zona 5 no calendário interativo.

Zona 6: Madeira e Açores

A Zona 6 reúne a Madeira e os Açores. O clima é oceânico, com invernos suaves, sem geada junto ao mar, verões amenos e muita humidade e vento. As diferenças entre a costa e as cotas altas, entre ilhas e entre as vertentes norte e sul são grandes, e as datas do calendário valem para a costa, até cerca de 400 metros.

Como usar este calendário da horta por regiões nas ilhas. Acima de 400 metros, atrase as culturas de primavera e verão pelo menos duas semanas. Nos Açores, onde o verão é mais fresco e nublado, plante tomate, pimento e beringela na segunda metade do período e proteja-os do vento. O míldio é o principal inimigo do tomate e da batata nas ilhas. Datas completas: Zona 6 no calendário interativo.

Horta urbana num terraço, um exemplo de aplicação do calendário da horta por regiões na cidade
Mesmo no centro da cidade, escolher a zona certa ajuda a semear e a colher no momento ideal

Como ajustar o calendário à sua horta

As datas do calendário da horta por regiões são o ponto de partida, e alguns ajustes fazem toda a diferença.

Altitude e exposição. Cada 100 metros de altitude baixam a temperatura entre meio grau e um grau. Uma encosta virada a sul aquece mais cedo e uma baixa fria atrasa o calendário. Observe onde a geada se demora e ajuste as datas.

Antecipe em casa. Para seguir este calendário da horta por regiões nas zonas frias, lembre-se de que o tomate, o pimento e a beringela levam seis a oito semanas até ao transplante, por isso compensa semeá-los em ambiente protegido. Uma mini-estufa de germinação doméstica com tampa mantém o calor e a humidade estáveis e aumenta a taxa de germinação.

Endureça as plantas. Antes de as levar para o canteiro, deixe as plântulas no exterior durante uma a duas horas por dia e aumente o tempo ao longo de uma semana ou dez dias. Evita choques de frio e de sol.

Proteja nas noites frias. Uma manta térmica antigeada para a horta estendida sobre os canteiros ao fim do dia ganha alguns graus e salva a colheita em noites de geada ligeira. Retire-a de manhã para as plantas respirarem.

Meça a temperatura. Um termómetro de mínimas e máximas colocado à altura das plantas mostra o que aconteceu durante a noite. As culturas de calor só devem sair depois de as mínimas se manterem acima de 10 °C.

Varandas e vasos. O substrato de um vaso aquece e arrefece mais depressa do que o solo. Pode antecipar uma ou duas semanas na primavera, mas regue com mais frequência no verão e proteja as raízes do sol direto.

Semeie de forma escalonada. Repita as sementeiras de alface, cenoura, beterraba, rabanete e coentros de duas em duas ou de três em três semanas, dentro da janela da sua zona. As colheitas ficam contínuas e a horta produz de modo biológico, sem sobrecarregar o solo.

Sabia que…

O alho precisa de algumas semanas de frio no inverno para formar bolbos com vários dentes, e é por isso que se planta no outono. Em invernos muito quentes, os bolbos tendem a ficar mais pequenos.

Perguntas Frequentes

Em que zona do calendário da horta por regiões fica o meu distrito?

Consulte a tabela de distritos no início do artigo ou escolha o distrito no calendário interativo: a zona seleciona-se sozinha.

Quando são as últimas geadas no Norte interior?

Segundo as normais do IPMA, em Bragança, na Guarda e em Vila Real ainda pode haver geada em maio. Por isso, no interior norte, espere pela segunda quinzena de maio para plantar tomate, pimento e beringela, e acompanhe a previsão.

Quando se planta o tomate no calendário da horta por regiões?

Depende da zona. No Algarve, planta-se em março e abril; em Lisboa, Setúbal e Santarém, em abril e maio; no litoral norte e centro, no Alentejo, na Beira Baixa e nas ilhas, da segunda quinzena de abril a maio; e no interior norte e nas serras, da segunda quinzena de maio a junho.

Posso usar o calendário da horta por regiões numa horta em vaso ou na varanda?

Sim. Os vasos aquecem e secam mais depressa do que o solo, por isso regue com mais frequência e proteja as raízes do sol forte. As datas seguem a sua zona.

Conclusão

Este calendário da horta por regiões ajuda a semear no momento certo, a evitar perdas com geadas e a aproveitar cada época. Descubra a sua zona, siga as suas datas, proteja as plantas quando o frio voltar e ajuste sempre à realidade da sua horta.

Para continuar a planear o seu calendário de sementeiras, consulte também o nosso Calendário Interativo e o Calendário Mensal, e o guia sobre plantas companheiras e antagónicas.

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